Caros leitores e leitoras.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Cabo Verde entre os países africanos com melhor Índice de Liberdade de Imprensa

Do portal África 21


RSF considera que o arquipélago continua a ser um dos países africanos, juntamente com a Namíbia e o Gana, melhor colocados no ranking que classifica a liberdade de imprensa no mundo.
Cabo Verde - arquipélago na costa africana que faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP - desceu 16 posições no Índice da Liberdade de Imprensa, passando de 9.º para o 25.º lugar na lista anual divulgada esta quarta-feira pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF),
Apesar desta queda, cujos motivos não foram precisados, a RSF considera que o arquipélago continua a ser um dos países africanos, juntamente com a Namíbia e o Gana, melhor colocado no ranking que classifica a liberdade de imprensa no mundo.
Para realizar este índice, que abrange 179 países, a RSF dirigiu um inquérito a 18 associações de defesa da liberdade de expressão nos cinco continentes, aos seus 150 correspondentes, bem como a jornalistas, investigadores, juristas e militantes dos direitos humanos.
O índice publicado anualmente avalia o grau de liberdade de que gozam jornalistas, meios de comunicação es cidadãos, bem como os meios implementados pelos Estados o seu respeito.
O Índice Mundial da Liberdade de Imprensa 2013 da RSF aponta que um grande número de jornalistas morreu no cumprimento do dever em 2012, ano mais mortífero registado pela organização.
Os primeiros colocados no ranking sobre liberdade de imprensa deste ano da RSF foram a Finlândia, a Holanda, a Noruega, Luxemburgo e Andorra.
Nos últimos lugares ficaram a Eritreia (179.º), a Coreia do Norte (178.º), o Turquemenistão (177.º), a Síria (176.º) e a Somália (175.º).

Dez anos do Brasil de Fato: um jornal para nossa classe


Por Milton Pinheiro [*]

A história da imprensa no Brasil é pródiga por agir em duas direções: por um lado, no conluio do aparato de Estado com os meios de comunicação a serviço da burguesia, e por outro, a extrema repressão, desses mesmos agentes, aos instrumentos de divulgação e formação da classe trabalhadora.
O Partido Comunista Brasileiro mesmo com a extrema perseguição política e a ilegalidade a que esteve submetido por longos períodos da sua história, sempre teve jornais semanais e até mesmo diários, assim como revistas de circulação nacional. Outras organizações, já no término da ditadura burgo-militar de 1964, também construíram experiências de jornais alternativos para lutar pelos interesses dos trabalhadores na transição para o Estado de direito. Mas, a esquerda brasileira não avançou para ter um jornal de ampla circulação que unificasse os interesses da nossa classe.
Há dez anos surgia o Brasil de Fato , em 25 de janeiro de 2003. Hoje, esse instrumento unitário dos movimentos populares está fazendo aniversário. Trata-se de um espaço onde os trabalhadores, os diversos movimentos sociais e as lutas mais sentidas do povo brasileiro encontram a divulgação merecida. Os fatos do Brasil e do mundo são apresentados pela ótica da nossa classe, levando-se em conta a verdade, que é sempre revolucionária.
Essa forma comprometida de fazer a imprensa popular se consolidou no trabalho realizado pelo Brasil de Fato. Neste espaço plural da esquerda brasileira, encontramos o combate ao aparato burguês, e a informação básica para alimentar os lutadores sociais no seu caminhar pela trilha do acirramento da luta de classes. Esse jornal apresenta uma proposta contra-hegemônica, que procura contribuir com os trabalhadores na construção de outra sociabilidade humana.
Em um país historicamente marcado pelo déficit democrático, cujas raízes remontam o escravismo, à política racista como regulação social e o patrimonialismo como gestão de Estado, a caminhada dos trabalhadores é revestida de enorme esforço. A luta pela terra, a defesa do meio ambiente, a manifestação da cultura popular, o apoio irrestrito aos trabalhadores em seus confrontos e a defesa de uma educação emancipadora, encontram no espaço democrático do Brasil de Fato a repercussão que a luta precisa para prosseguir.
Queremos contribuir para que esse instrumento da imprensa popular seja um semanário que se transforme numa representação da frente de esquerda, tendo como horizonte próximo o projeto de tornar-se um jornal diário, para responder à necessidade da nossa classe de enfrentar a ideologia do capital, em um país onde a burguesia controla de forma violenta os meios de comunicação, contando com a leniência dos governos.
Esse projeto vigoroso de tornar-se diário será efetivado a partir da participação das forças políticas e sociais, da crítica fraterna e construtiva à linha editorial, possibilitando ao jornal encontrar a linha política mais conseqüente, que abrirá o caminho mais justo para representar o conjunto de forças que no Brasil luta pela transformação social de caráter anticapitalista, na perspectiva do socialismo.
Neste momento de comemoração, um registro se faz relevante: enviamos uma saudação fraterna e convicta ao coletivo de homens e mulheres, profissionais e militantes que, com a sua dedicação revolucionária, constroem esse instrumento da classe trabalhadora, que com acertos e, até mesmo, com problemas se mantém no destacamento de apoio as vanguardas em luta por todo o Brasil. Afinal, são dez anos de muitas batalhas de uma guerra em movimento. É dessa experiência de imprensa popular que as massas trabalhadoras necessitam, para fazer, com a sua agitação e propaganda, a pauta da luta social avançar por todos os rincões do país, ajudando a formar o “povo filosófico”.
Agora uma nova fase se apresenta para o Brasil de Fato. Precisamos avançar nas diversas frentes que, por ora, foram abertas pelo jornal. Consolidar uma linha editorial com profunda independência de classe, abrir espaços políticos nas diversas organizações da esquerda revolucionária brasileira, e ser um formador coletivo com capacidade real de contribuir para a direção moral e intelectual dos trabalhadores na sociedade brasileira.
Esse projeto, essa luta, esse compromisso faz do Brasil de Fato um jornal ao lado da nossa classe. Que a luta continue... 
Agora, mais forte do que antes.

[*] Professor de Ciência Política da Universidade do Estado da Bahia (UNEB),
editor da revista Novos Temas e membro do CC do PCB.

Opinião: Mídia-Barriga


Por Marcelo Zero



Chávez não era Chávez. A foto exibida no El País, jornal conservador espanhol, tinha sido retirada de um vídeo médico de 2008, que mostrava um anônimo homem em coma.

Pesquisa perfunctória teria revelado o erro grotesco e primário. No entanto, o El País, uma espécie de sucursal ibérica do antichavismo, resolveu arriscar para ver se “colava”. Não colou. Um internauta percebeu logo o erro e o jornal teve de retirar a foto e pedir desculpas. Tirou a foto e colocou em si mesmo uma grande e vergonhosa “barriga”.

Entretanto, esse episódio, não é, na realidade, um fato isolado, um simples erro ocasional. Ao contrário, ele é emblemático de um tipo de jornalismo que se tornou bastante comum, especialmente na América do Sul.

Com efeito, na Venezuela, na Argentina, no Equador, no Brasil e em outros países do subcontinente pratica-se, com inquietante desenvoltura, um tipo de jornalismo que costuma distorcer ou falsear a realidade.

Os retratos que são pintados diuturnamente pela mídia tradicional sobre a situação atual desses países mostram um quadro de caos, desagregação social e política e falta de rumo que não encontra correspondência com a realidade objetiva. Parecem “fotos” grosseiramente retocadas por um photoshop concebido para enfear, ou mesmo simples falsificações, como a imagem do suposto Chávez hospitalizado.

No Brasil, por exemplo, há uma década que boa parte da nossa mídia tradicional e oligopolizada divulga as “fotos” e os “retratos” das supostas mazelas dos governos do PT, apresentados, quase que invariavelmente, como absolutamente incompetentes, irremediavelmente corruptos, solertemente antidemocráticos e francamente desastrosos. Pelo o que se divulga em boa parte dessa mídia, o País vive um processo acelerado de decadência desde 2003, quando o governo liderado pelo PT substituiu o “competente”, “limpo” e “democrático” governo de tintas paleoliberais, que havia colocado a nação no rumo “correto” da “modernidade”.

Bem, seria fastidioso enumerar aqui os claros êxitos dos recentes governos brasileiros. Basta fazer análise objetiva dos principais indicadores socioeconômicos para se chegar à inevitável conclusão de que o Brasil, nos últimos dez anos, mudou substancialmente para melhor. Estudo mundial do Boston Consulting Goup, divulgado há poucos meses e solenemente ignorado, coloca o Brasil como o país que mais se destacou na qualidade recente de seu desenvolvimento.

Assim, se alguém quiser entender o que aconteceu no Brasil na última década, não entrará respostas fidedignas na imprensa conservadora. Terá de recorrer a blogs e sites alternativos e a fontes estrangeiras, ou fazer suas próprias pesquisas.

A imagem do Brasil recente construída por parte expressiva da grande mídia tradicional está tão longe da realidade quanto a foto do homem hospitalizado dista do autêntico Chávez. Na tentativa incansável de “furar” os governos progressistas recentes, produz-se uma pletora de “barrigas”, numa espécie de vale-tudo midiático. Trata-se, portanto, de uma mídia-barriga, que fábrica notícias distorcidas, enviesadas, exageradas e até mesmo falsas, de forma sistemática. Uma mídia que convive melhor com figuras do submundo do que com a verdade.

Esse distanciamento da realidade, que beira a esquizofrenia, é muito preocupante. Porém, não é o único. Há também o claro descolamento entre a opinião publicada e a opinião pública. A primeira dedica ódio profundo ao PT e seus governos. Já a segunda consagra Lula e Dilma com recordes de popularidade. Por isso, a mídia tradicional passou, nos últimos anos, a questionar a legitimidade do voto popular. Com a candura que lhe é peculiar, ressuscitou a “tese Pelé”, construída na ditadura, segundo a qual o “povo não sabe votar”. Aqueles que votam com a situação o fazem por que são manipulados e desinformados, escravos do Bolsa Família que não têm o hábito de ler Veja e outros modernos bastões do Iluminismo. É um voto que, no fundo, segundo essa concepção, não conta, ou não deveria contar.

Isso nos leva ao terceiro e mais preocupante distanciamento ou descolamento. O distanciamento entre parte da mídia conservadora e a democracia. Em tempos recentes, segmentos da nossa mídia tradicional, honrando uma notável tradição, não se acanharam em aplaudir e defender golpes militares ou “brancos” contra governos progressistas da América Latina, como aconteceu na Venezuela, em Honduras e no Paraguai. Autoridades eleitas e reeleitas, em pleitos livres e lisos, são tratadas caricatamente como “ditadores”, “caudilhos” e “populistas”, gentalha que ameaça a “democracia”. Provavelmente uma “democracia” sem povo e sem voto, que assegura a independência das instituições, desde que elas sejam conservadoras, e a alternância de poder, desde que entre forças políticas da direita, como no pacto político de Punto Fijo, que dominava, com o aplauso da mídia, a Venezuela pré-Chávez.

Obviamente, nada disso é novidade. A grande mídia do Brasil e de outros países do subcontinente sempre foi muito conservadora. No passado, apoiou ditaduras e esmerou-se na crítica a partidos de esquerda e a movimentos sindicais e sociais a eles associados. 

A novidade está em que parte dos países da América do Sul é governada hoje por forças políticas que romperam, até certo ponto, em maior ou menor grau, com a agenda neoliberal que levou os partidos de direita e centro-direita da região à ruína política. Surgiram ou chegaram ao poder novas forças políticas. De repente, essa mídia, acostumada com o oligopólio político de uma pequena elite, secundada pelos setores conservadores da classe média, viu seu poder de influência decrescer consideravelmente. Nessa nova conjuntura, revela a sua verdadeira e feroz face: a de um partido de oposição que não mede esforços para recuperar a sua antiga hegemonia e que não tem pudor em atropelar a verdade e as normas básicas do bom jornalismo, colocando em risco a democracia que diz tanto defender.

Entretanto, essa mídia ainda detém firme monopólio da produção e difusão da informação. A internet, por certo, cria circuitos alternativos de debate democrático. Porém, é ilusão pensar que ela, por si só, é capaz de quebrar o monopólio da informação. Na realidade, esse monopólio é também reproduzido no mundo on-line. A informação destoante é francamente minoritária e escassa.

O Brasil precisa de uma mídia mais aberta, profissional, democrática e, sobretudo, plural, como recomenda, aliás, o relatório intitulado “Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”, elaborado recentemente, no âmbito da União Europeia. E seu governo precisa, sim, de críticas consistentes e fundamentadas, e não da atual cachoeira de panfletos histéricos, denúncias vazias e textos mal-escritos.

Isso demandaria, obviamente, que se iniciasse um debate amplo, franco e livre sobre a extrema concentração dos meios de informação no país.  Mas esse é um tema tabu, interditado pela mídia conservadora, que alega que tal debate representa ameaça à liberdade de expressão e à democracia.

Uma alegação tão falsa quanto a foto do Chávez no El País.

[AS OPINIÕES AQUI EXPRESSAS SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES]

  






segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Entidades do Ceará se contrapõem à transmissão de missas em TV legislativa

Por Iara Moura - para Observatório do Direito à Comunicação

Após o anúncio feito pelo presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Walter Cavalcante (PMDB), no dia 1º de janeiro, de que teria como uma das prioridades do seu mandato a transmissão de missas e cultos nos canais legislativos – TV e Rádio Fortaleza – o debate sobre a laicidade do Estado, a programação e a gestão das emissoras públicas vem ganhando espaço na mídia, na Câmara e em grupos da sociedade civil. Na última segunda-feira (21), dia nacional de combate à intolerância religiosa, comunicadores populares, entidades da sociedade civil, movimentos sociais e parlamentares se reuniram com o objetivo de abrir um espaço de diálogo para contrapor a a proposta do presidente da Câmara.

Segundo Aby Rodrigues, do Instituto Negra do Ceará (Inegra), a proposta representa um movimento de avanço de práticas que fortalecem o machismo, o patriarcalismo e o racismo. “Lembramos que o mesmo vereador também é autor da proposta de inclusão da Marcha pela Vida Contra o Aborto no calendário oficial do município, um ataque direto à luta pela legalização e descriminalização, quando todas/os sabemos que são as mulheres negras pobres que mais abortam nesse país e consequentemente são as que mais morrem pela falta de assistência médica. Além disso, vale destacar que muitas de nós são praticantes das religiões de matriz africana, crença que já sofre bastante discriminação em uma sociedade majoritariamente cristã e racista”, afirma.

Laryssa Sampaio, estudante de Comunicação Social e militante da Marcha Mundial de Mulheres, reitera a preocupação com o avanço do conservadorismo e defende que a luta das mulheres “também passa pela luta por um outro modelo de comunicação”. Segundo a estudante, algumas propostas de ação foram discutidas na reunião realizada na última segunda-feira. “Conseguimos dar encaminhamentos que buscam o diálogo com a sociedade, que travam a luta política por um modelo de comunicação democrático, laico e popular e ainda a luta no âmbito judicial”, ressalta.

Constituição

O Artigo 19 da Constituição Federal Brasileira proíbe o Estado de “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público". Em matéria publicada no jornal O Povo em 15 de janeiro deste ano, o vereador Elpídio Nogueira (PSB) – encarregado de levar adiante a proposta de transmissão das missas e cultos nos canais legislativos municipais – afirmou que o estado laico deve respeitar “as maiorias” e que não se trata de “colocar a religiosidade oficialmente, mas retratar o aspecto religioso da cidade”.

Em 2010, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) passou por discussão similar que resultou na determinação de seu Conselho Curador de retirar os programas religiosos veiculados pela TV Brasil e pelas rádios da empresa de suas grades de programação, a partir da avaliação que a emissora pública não poderia conceder espaços para o proselitismo de religiões particulares. Em 2012, o Conselho Curador determinou a criação de uma faixa de conteúdo religioso orientada por um conselho editorial específico. 

Manifestação

As entidades e movimentos presentes na reunião lançaram hoje  uma nota oficial (leia abaixo) se contrapondo à medida dos parlamentares e anunciaram que irão recorrer ao Ministério Público questionando o respeito ao princípio da laicidade do estado. Segundo Raquel Dantas, integrante do Intervozes, o objetivo central do grupo é garantir uma discussão democrática e participativa sobre a programação dos canais legislativos. “O caso da veiculação de missas e cultos é um caso específico de conteúdo, mas a discussão sobre o que é veiculado deve ser geral e acessível a qualquer cidadão. Um Conselho com participação popular seria um caminho para essa abertura, como vemos nos avanços tomados pela EBC através do Conselho Curador num caso semelhante ao da TV Câmara”, defende.

A próxima reunião aberta do grupo acontecerá no Conselho Regional de Serviço Social – CRESS, no dia 30/01 às 18h. O CRESS está localizado na Rua Waldery Uchoa, 90, no bairro Benfica.

Confira a nota publicada pelas entidades:


TV e rádio Fortaleza: comunicação pública deve ser laica e democrática,
com pluralidade e diversidade

Nós, comunicadores populares, movimentos sociais e religiosos abaixo-assinados, questionamos a transmissão de rituais religiosos na TV Fortaleza, proposta pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Walter Cavalcante (PMDB), e assumida pelo vereador Elpídio Nogueira (PSB).

Defendemos a divulgação da fé ou de quaisquer crenças, que pode e deve ser realizada, sem qualquer discriminação, nos programas das emissoras legislativas. No entanto, somos contrários (as) ao uso de meios de comunicação públicos para fins de proselitismo religioso, o que em nada contribui para um ambiente de respeito à diversidade e à pluralidade de crenças religiosas, valores ético-morais e visões políticas que caracterizam a nossa sociedade. O privilégio concedido a segmentos, ao contrário, retira do Estado o seu caráter laico e fortalece uma cultura de intolerância.

Nosso argumento é para que se cumpra a Constituição Federal, mais precisamente explicitada no Artigo 19: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

Acreditamos que a proposta, divulgada em matéria feita pelo jornal O Povo no dia 15 de janeiro deste ano (acessível em: http://migre./cVcoo), viola a Constituição, já que não se trata de uma corriqueira divulgação da diversidade religiosa e cultural de nossa cidade, mas de uma promoção seletiva de confissões cristãs que tende a contemplar apenas grupos restritos. Por isso, solicitamos a imediata anulação da medida pela Câmara Municipal de Fortaleza.

Requeremos, ainda, em cumprimentos dos pressupostos democráticos e republicanos que devem basilar a comunicação pública, que a Casa Legislativa abra espaço para discutir com a sociedade civil a programação da emissora pública legislativa à exemplo do que vem ocorrendo na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que agrega televisões, rádios e agências de notícias do Governo Federal. Em 2010, a EBC passou por um processo similar, cujos debates e consultas resultaram na determinação do Conselho Curador, com ampla participação da sociedade civil, de retirar os programas religiosos que compunham a programação da TV Brasil e das rádios da empresa.

A deliberação do conselho ratificou um parecer elaborado no mesmo ano pela Câmara de Educação, Cultura, Ciência e Meio Ambiente do órgão, que defendia ser “impróprio que os veículos públicos de difusão concedam espaços para o proselitismo de religiões particulares, como acontece atualmente com os programas que vão ao ar na TV Brasil aos sábados e domingos, dedicados à difusão de rituais ou de proselitismo que favorecem a religião católica e a segmentos de outras religiões cristãs”. Neste caso, os programas foram retirados do ar, e, em julho de 2012, a EBC criou a Faixa da Diversidade Religiosa, que vai criar um programa, com uma hora de duração e de cunho jornalístico, focado na reflexão sobre as diversas crenças e outro, com meia hora, diretamente voltado às mensagens dos distintos grupos e expressões religiosos.

Nesse sentido, ressaltamos a necessidade de que seja realizado um amplo debate que envolva o poder legislativo municipal e a sociedade civil organizada para construir uma proposta de programação para as emissoras públicas (TV e rádio Fortaleza). A nova grade deve contemplar a diversidade e a pluralidade de ideais e crenças e que cumpra, em última instância, o objetivo central de informar a sociedade sobre as ações da Câmara de Fortaleza.

Assinam esta nota:

Consulta Popular
Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
Fábrica de Imagens
Fórum Cearense de Mulheres
INEGRA
Intervozes
Juventude Negra Kalunga
Mandato Ecos da Cidade
Mandato Ronivaldo Maia
Marcha Mundial das Mulheres
Nigéria Comunicação e Audiovisual
Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares/CE
Serviço de Assessoria Jurídica Universitária –SAJU
TERRAMAR

domingo, 27 de janeiro de 2013

Ministério do Meio-ambiente seleciona jornalista para contrato temporário

O Ministério do Meio Ambiente está selecionando um jornalista para contrato de consultoria por prazo determinado de três meses - podendo ser prorrogado, mediante interesse das partes - contados a partir da assinatura do contrato, prevista para fevereiro. O salário não foi informado.
O selecionado atuará junto a secretaria de Biodiversidade e Florestas, no âmbito do programa a Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).


O consultor deverá apresentar as seguintes qualificações:

• Formação na área de Jornalismo, Publicidade e propaganda ou áreas afins.
• Experiência comprovada na área de comunicação
• Experiência comprovada em criação e elaboração de material informativo
• Nível avançado em Inglês e Espanhol

Serão quatro as linhas deatuação do selecionado:


  • Elaboração e implementação da Estratégia de Comunicação do Arpa

Estabelecer um mecanismo de comunicação para definir a abordagem que o Arpa terá frente ao públicoalvo (gestores, doadores, comunidade acadêmica, etc). Para o alcance desta ação será contratado um
consultor  especialista  no  tema.  O  GT  é  responsável  pela  aprovação  do  produto  e  apoiará  sua
implementação. A UCP é responsável pela gestão da implementação da estratégia.

  • Manutenção do website do Arpa

Estabelecer um mecanismo de comunicaçãopara definir a abordagem que o Arpa terá frente ao públicoalvo (gestores, doadores, comunidade acadêmica, etc). O GT é responsável pela aprovação do produto
eapoiará sua implementação.

  • Elaboração e produção de material informativo e promocional 

Compreende a criação e elaboração de material para divulgação institucional do  Arpa, tais como
folderinstitucional , material de escritório, pendrive e material parareuniões e encontros em geral que
sejam organizados e apoiados pelo Programa. Esta atividade será feita pelo consultor que elaborará a
estratégia de comunicação e seus produtos serão aprovados pela UCP

  • Publicação dos Cadernos Arpa e Revista Arpa 

A meta é a elaboração de um Caderno Arpa por ano, e uma Revista Arpa a cada dois anos. Estas
publicações serão produzidas com a contribuição de gestores das UCs e demais atores interessados em
divulgar seus trabalhos. O GT é responsável por apoiar a UCP na análisee aprovação dos artigos.


Os candidatos  devem  enviar  os  currículos  e  o  valor  proposto  para  a  consultoria  para daline.pereira@mma.gov.br, até o dia 31 de janeiro de 2013.

Profissional de Comunicação Social tem vaga em Brasília

A secretaria de Direitos Humanos da presidência da República está selecionando um profissional para prestar consultoria técnica especializada no âmbito do Programa Brasil Sem Homofobia. 
O trabalho a ser desempenhado envolve o conhecimento técnico e prático sobre os direitos de populações LGBT. O Programa Brasil Sem Homofobia foi criado em 2004 e estruturado dentro da diretriz para a implementação de políticas públicas que contemplem ações de  combate à homofobia e de promoção da cidadania e dos direitos humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - LGBT. 
A contratação acontece dentro de um convênio assinado entre o governo brasileiro e o Pnud. O contrato de duração de oito meses. O candidato deverá possuir experiência profissional de pelo menos dois anos em temas de Direitos Humanos e possuir técnica de redação em língua portuguesa.. A vaga se destina a graduados em Comunicação Social, mas também podem participar graduados em Ciências Humanas ou Sociais. 

Os honorários serão calculados de acordo com a experiência e qualificação do profissional. Os currículos deverão ser enviados, a partir da publicação deste anúncio até o dia 05/02/2013, em envelope fechado e identificado externamente com o número do Projeto e do Edital, para a Caixa Postal nº 3841 – CEP 70089-970 – Brasília/DF.
Não serão aceitas candidaturas de servidores da administração pública federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal.

Outras informações, clique aqui.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Jovens produzem rádio em área carente de Samambaia - DF

Por Jéssica Moura, do Campus-online



O projeto Radialistas do Futuro, criado em 2002 pelo jornalista Edvaldo Ferreira na área da expansão de Samambaia, ensina técnicas de radiojornalismo a jovens de baixa renda entre 8 e 17 anos que vivem na comunidade. A ideia da iniciativa é promover a ocupação saudável do tempo disponível desses jovens quando não estão na escola.
Ferreira afirma que o projeto “tem a intenção de lançar um novo olhar na discussão de temas relacionados à juventude, a partir do ponto de vista dos jovens, além de fomentar o gosto pelo rádio”. Para ele, essa plataforma deve transformar a realidade de violência, drogas e baixo rendimento escolar que esses jovens enfrentam.
Divulgação/mamcasz
Jovens do Radialistas do Futuro gravam programa com o idealizador do projeto, Edvaldo Ferreira (de pé à direita)
São ofertadas oficinas de produção radiofônicas e aulas de reforço escolar, ministradas por cinco professores voluntários. O projeto encara problemas de infraestrutura e a casa onde funciona precisa passar por reformas para realização das oficinas, que ocorrem na sede da ONG Sociedade dos Moradores e Amigos da Expansão de Samambaia. 

Mas a atuação dos Radialistas do Futuro não se restringe às aulas. “Tínhamos um programa na rádio Redentor, que era produzido e apresentado pelos meninos e meninas da comunidade”, conta Ferreira. O radialista Valter Lima, em virtude da experiência que possui, foi convidado para uma entrevista pelos jovens, e, de acordo com Ferreira, ficou encantado com o trabalho que testemunhou. Por isso, Lima recebeu os aprendizes no programa que apresentava na Rádio Nacional AM, o Revista Brasil. 

Após isso, em 2003, a direção da emissora ofereceu aos jovens um horário semanal, em que passaram a apresentar ao vivo o programa Os Radionautas.  “A repercussão do projeto não foi apenas local, uma vez que a transmissão em rede permitia que outros estados sintonizassem a atração”, explica Ferreira.
“A gente tinha ouvintes no Distrito Federal e também no Amazonas.” 
Cartas e telefonemas de outros municípios eram endereçados aos participantes do projeto com sugestões de matérias e depoimentos. As pautas abordadas, como gravidez na adolescência e combate às drogas, eram escolhidas pelos próprios jovens durante as oficinas e eram encaminhadas para a produção da rádio, que agendava entrevista com especialista no tema abordado. 

 Naiana Martins, 20 anos, entrou no projeto aos 10 anos e, em função da experiência como apresentadora em Os Radionautas, decidiu ingressar no curso de jornalismo, para continuar a transmitir informação de qualidade para a sua região. 

Entretanto, o convênio com a Rádio Nacional acabou em 2010 e as apresentações foram suspensas. Agora elas passam por fase de reformulação. 
Em 2007, o Radialistas do Futuro foi classificados pelo UNICEF entre os sete melhores projetos voltados para a criança e o adolescente no Brasil, entre 1774 organizações inscritas. “É o reconhecimento de um trabalho que deu certo e pode ser replicado em outros locais do Brasil”, afirma Ferreira. 

Para o jornalista, criar o projeto foi uma das atitudes mais importantes de sua vida. “Tive a oportunidade de melhorar a vida de muitas crianças, assim como a da comunidade onde moro”, completa. Ele pretende levar o projeto para Imperatriz (MA), para que o mesmo trabalho desenvolvido em Samambaia possa se multiplicar e alcançar outras comunidades do país. 


 Confira abaixo vídeo com gravações do programa Os Radionautas:




Big Brother TV Câmara


Por Nelson Barros Neto, da Folha on-line

Henrique Alves quer usar TV Câmara para limpar imagem dos deputados



Candidato à presidência da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) prometeu na quinta-feira (24) usar a TV Câmara para acabar com a imagem de "vagabundagem dos deputados" no país.
"Ela [TV] precisa acompanhar os parlamentares nos finais de semana, para que eu não veja mais fotos nas sextas e segundas-feiras do plenário vazio, dando imagem de que é vagabundagem dos deputados, e não é", disse.
Leonardo Prado - 7.mai.2012/Agência Câmara
Henrique Alves, favorito na disputa à presidência da Câmara
Henrique Alves, favorito na disputa à presidência da Câmara
Para o deputado, que esteve ontem em campanha em Salvador, seria uma forma de divulgar o "trabalho na base" dos congressistas. "Às vezes trabalhamos muito mais nas bases, e dá a impressão de que é só lazer, e não é."
A proposta de usar a emissora oficial da Casa para o mesmo fim também esteve na plataforma de 2009 de Michel Temer (PMDB-SP), hoje vice-presidente da República, em sua eleição para a Presidência da Câmara.
Temer afirmou à época que a medida não geraria "cabide de empregos" nem seria dispendiosa graças a possíveis convênios com TVs de Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.
A promessa, contudo, não vingou. Apontando dificuldades financeiras, o canal pediu para os deputados produzirem seu próprio material, que seria editado pela TV. Em quatro anos, só um enviou --e a gravação não foi para o ar.
O diretor de divulgação da emissora, Sérgio Chacon, disse que o deslocamento de uma equipe no fim de semana é caro. Citou ainda como dificuldade o fato de congressistas alterarem suas agendas com frequência.
"A Câmara é muito rígida com os gastos, tem que fazer uma série de justificativas. Ainda tem problema de ordem ético, porque não pode fazer um negócio que beneficie apenas alguns. Tudo aqui se pauta pela proporcionalidade partidária, e teríamos dificuldade de compatibilizar com as viagens", disse.
'HENRIQUES DA ÉPOCA'
Alves recebeu ontem, em almoço em Salvador, apoio de 32 dos 39 deputados federais baianos.
Questionado sobre um possível sentimento de perseguição em razão de reportagens negativas na mídia sobre sua atuação parlamentar, o deputado afirmou que a imprensa é "nossa parceira".
"Ela [imprensa] sabe que foram os Henriques da época e de hoje que asseguraram legitimamente a liberdade de imprensa, que é basilar para a democracia brasileira."

Revistas científicas recebem artigos para publicação

Duas revistas científicas na área de Comunicação Social lançaram editais convocando autores e pesquisadores a submeterem seus trabalhos para publicação.
A primeira delas é a Revista Mosaico CPDOC do programa de Pós-Graduação em História Política e Bens Culturais do CPDOC-FGV. Ela estará recebendo artigos para o próximo número até 28 de fevereiro de 2013.
Mais informações, clique aqui ou entre em contato pelo correio eletrônico mosaico@fgv.br.
A segunda publicação é a Revista Eletrônica Eptic Online, produzida pelo Observatório de Economia e Comunicação (Obscom) da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Ela está com a chamada de trabalhos aberta para a edição de maio-agosto de 2013, vol. XV, n. 2, que trará o dossiê temático Comunicação Pública: cenário e perspectivas.
Tendo como mote os cinco anos de constituição da  Empresa Brasil de Comunicação (EBC) a Revista pretende fomentar  a reflexão crítica sobre o panorama da comunicação pública ou não-comercial no Brasil. Serão aceitos  artigos que tragam discussões teóricas e/ou resultados de pesquisas sobre o campo público de comunicação: EBC e seus canais, emissoras  legislativas, judiciárias, comunitárias, educativas ou universitárias. As contribuições podem  abordar vários  aspectos, como política de comunicação, estrutura e  análise de conteúdo/programação.
As diretrizes para os autores, possuidores de titulação mínima de mestre, as formas de submissão e demais informações  estão disponíveis no portal da Revista.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

El País perde credibilidade e cai no ridículo

La portada de El País con la falsa
foto del Presidente Chávez
Da UTPA


La edición impresa y la web del periódico español El País publicó en su edición del 24 de enero (hora de España) una foto en la que identifican a Hugo Chávez entubado tras su operación en Cuba. Con el título de “La salud del presidente de Venezuela”, la publicación sostiene que fue tomada hace unos días.
Sin embargo, la imagen pertenece a un video publicado en YouTube en 2008. A través del video titulado “Intubación de Acromegalia AMVAD” publicado en la página de videos desde hace 5 años por el usuario “deqcomMX”. En el video observa a un hombre similar a Chávez, entubado, pero evidentemente la figura no pertenece al mandatario venezolano.
El País anunció la foto como exclusiva mundial y le colocó marca de agua, la cual describieron como “El presidente Chávez, durante el tratamiento médico recibido en Cuba”, donde incluso colocan “Prohibida su reproducción”.
“La enfermedad del presidente venezolano Hugo Chávez ha estado envuelta en la opacidad desde que viajó a La Habana el pasado 10 de diciembre y ha generado una polémica política en su país. EL PAÍS ofrece una imagen inédita y exclusiva, tomada hace unos días, que muestra un momento de su tratamiento médico en Cuba, según las fuentes consultadas por este diario”, se leía en la página web del diario.
El video de “Intubación de Acromegalia AMVAD” lleva más de 88 mil reproducciones y justo al minuto 2:33 se observa la misma imagen que publicó el diario ibérico como exclusiva.
La imagen fue retirada 20 minutos después de su portal y fue distribuida por diversos medios a nivel mundial y la agencia EFE.
También El País abre su edicion impresa de este jueves con la foto falsa como gran exclusiva, pero al ver la reacción tras ponerla en su web procedieron a retirarla de su sitio en internet.
Al parecer esa supuesta fotografía del presidente Hugo Chávez recibiendo tratamiento médico en Cuba había sido enviada a distintos medios para tratar de venderla, no obstante hay quienes sí se han olido de antemano lo sospechoso del asunto.
Pedro J. Ramírez, director del diario El Mundo indicó esta tarde en su cuenta en Twitter que al periódico quisieron venderle una gráfica, pero que la rechazó.
“Ah, por cierto, ayer nos quisieron vender una foto de Chavez entubado. Dijimos no. Cuando la veaís en otro medio ya diréis si acertamos”, escribió Ramírez.
Grotesca y Falsa
El gobierno de Venezuela calificó de grotesca y falsa la imagen del diario El País.El ministro de Información venezolano, Ernesto Villegas, publicó en su cuenta de Twitter el siguiente mensaje: “Tan grotesca como falsa la foto de ‘Chávez entubado’ que hoy publica en primera página el venerable diario El País de España”.
Mea Culpa de El País
En la primera hora de esta madrugada El País ha publicado un mea culpa en su página digital con el siguiente texto:
EL PAÍS retiró esta madrugada de su página web una foto que mostraba a un hombre entubado en una cama de hospital y que una agencia informativa había suministrado al periódico afirmando que se trataba de Hugo Chávez, presidente de Venezuela. Chávez se encuentra hospitalizado en Cuba tras ser operado de un cáncer cuyas características el Gobierno venezolano no ha querido precisar. La foto permaneció en la página web del periódico aproximadamente una media hora.
En el texto que acompañaba la foto se afirmaba que EL PAÍS no había logrado verificar de forma independiente las circunstancias, el lugar o la fecha en la que se había realizado la fotografía. Tras constatar que la imagen ofrecida no correspondía a Chávez, EL PAÍS paralizó asimismo la distribución de su edición impresa y procedió a enviar una nueva edición a los puntos de venta. El incidente puede ocasionar que la edición impresa del periódico con fecha de hoy jueves 24 de enero no esté disponible en algunos kioscos, tanto en España como en el extranjero.
La furibunda y enfermiza obsesión antichavista de Juan Luis Cebrián y el Grupo Prisa le ha jugado una mala pasada al diario El País y ha puesto en evidencia una vez más la crisis de valores de un periodismo afianzado en la manipulación, la mentira y el engaño.
(Con información de Agencias, La Jornada, Noticias 24 y Cubadebate)

Espanha quer tirar do ar sinal da TV do Irã

Al parecer, la guerra mediática contra Irán no tiene fin... 
Este miércoles, el Gobierno español ha sacado oficialmente de la grilla de TDT (Televisión Terrestre Digital) al canal iraní en lengua española, HispanTV.


El ministerio de Industria de España había solicitado el pasado viernes a la Comunidad de Madrid que sacara a HispanTV de la grilla de TDT. Izquierda Unida (IU) ha pedido explicaciones al Congreso español sobre la suspensión de la emisión de HispanTV por Hispasat.

Mediante una carta fechada el pasado 18 de enero, la diputada de IU en el Congreso de los Diputados de Madrid, Ascensión de las Heras Ladera, se dirigió al Gobierno de Mariano Rajoy para pedir explicaciones por esta medida que atenta contra la libertad de expresión en los medios de comunicaciones.

La nota agrega lo siguiente:

AI amparo de lo establecido en el artículo 185 y siguientes del Reglamento del Congreso de los Diputados, la Diputada que suscribe formula la siguiente pregunta dirigida al Gobierno para su respuesta escrita.

HISPASAT fue constituida en el año 1989 con Ia misión de convertirse en el operador de satélites de referencia para los mercados de habla hispana y portuguesa. A lo largo de sus más de 20 años de existencia, HISPASAT ha incorporado de manera continuada nuevos satélites de comunicaciones a su flota y ha ampliado el abanico de productos y soluciones que presta a sus clientes, desde servicios audiovisuales hasta redes de telecomunicación, Internet y servicios multimedia, convirtiéndose en un operador global de satélites, con cobertura y servicios de calidad en Europa, América, Canadá y Norte de África.

En el capital social de HISPASAT están presentes firmas muy conocidas, como los operadores de telecomunicaciones (Abertis, Telefónica y Eutelsat) y del sector público español: Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA), Sociedad Estatal de Participaciones Industriales (SEPI) y Centro para el Desarrollo Tecnológico e Industrial (CDTI), cuyos representantes se sientan en el Consejo de Administración.

El Consejo de Administración está presidido por Elena Pisonero, una economista formada en universidades americanas que ha trabajado tanto en el sector público como en el privado, donde ha desempeñado distintos puestos en importantes compañías multinacionales como Siemens y KPMG. Fue directora de Gabinete del vicepresidente económico con Rodrigo Rato y secretaria de Estado de Comercio, Turismo y PYMES, además de diputada nacional y portavoz de Economía del PP en el Congreso.

Desde finales de diciembre de 2012, el proveedor español de satélite HISPASAT ha decidido dejar de dar servicios a los canales iraníes HispanTV y PressTV. A tal fin, HISPASAT ha ordenado a la compañía Overon que detenga la transmisión de los programas de las dos cadenas televisivas HispanTV y PressTV, en habla española e inglesa, respectivamente.

La medida se materializó a partir de que, en los primeros dias de 2013, el secretario de Estado de Telecomunicaciones, Victor Calvo-Sotelo, enviase un requerimiento a Elena Pisonero, presidenta de HISPASAT, ordenándole que bajara la señal de ambos canales iraníes y esta se dirigió, a su vez, a Alberto Vía, director general de Overon, pidiéndole que aplicase la instrucción. Overon es la compañía que subía la señal a la red de HISPASAT, algo que dejo de hacer pocos días después de recibir la notificación. HispanTV ha sido registrada oficialmente en España y desarrolla sus actividades bajo la normativa audiovisual de este país.

Por otra parte, es obvio que la obligación de toda empresa en la que está invertido el dinero de los españoles es aumentar la rentabilidad y su eficiencia, y esto es lo que parece que a los directivos de HISPASAT menos les ha preocupado a la hora de tomar ciertas decisiones. Es decir, siguiendo directrices gubernamentales la operadora se dedica a echar clientes. Dicho de otro modo, la actitud tomada por la dirección de HISPASAT y de aquellos de quienes reciben órdenes es, cuando menos, un insulto a todos los que defienden nuestra capacidad industrial y autonomía económica.

HISPASAT es en parte propiedad de Eutelsat, cuyo director general, el franco-israelí Michel de Rosen, está inculpado por la reciente ola de ataques contra los medios de comunicación iraníes en Europa. PressTV se ha comunicado con HISPASAT y la oficina de la jefa de política exterior de la UE para tratar de conseguir una respuesta, pero no ha sido posible.

Calvo-Sotelo recalca en su requerimiento que Ezzatollah Zarghami, presidente del ente que reagrupa a las televisiones de Irán, ha sido incluido en la lista negra de responsables iraníes elaborada por la Unión Europea. En consecuencia hay que aplicarle la normativa comunitaria que "prohíbe poner a su disposición recursos económicos ha de interpretarse de forma amplia (...)". "(...) por tanto, la capacidad satelital que permite transmitir servicios de televisión (...)" debe quedar incluida.

La decisión fue inmediatamente criticada desde Teherán por el director del servicio exterior de la televisión iraní, Mohamad Sarafraz, quien anuncio "acciones legales" y lamento que el Gobierno español ni HISPASAT le hayan dado una explicación oficial. Desde EEUU asociaciones judías alabaron, en cambio, la iniciativa del Ejecutivo español. Por su parte, la UE ha asegurado que las sanciones a Irán no se deben aplicar a los medios de comunicación de Irán.

Los abogados de las televisiones iraníes consideran que la interpretación que hace Calvo-Sotelo es abusiva. "Va más allá de las medidas restrictivas adoptadas por la UE y vulnera la libertad de expresión", señala una fuente oficial iraní. Por esa razón, según han anunciado, demandaran al Gobierno español. Hispan TV puede ser visto en la TDT de Madrid, donde ha alquilado un canal de baja frecuencia.

David Harris, director ejecutivo del Comité Judío Americana (AJC, según sus iniciales inglesas) emitió un comunicado celebrando la iniciativa del Gobierno español y dando entender que la había inspirado. "Este es un hito en los esfuerzos generalizados para contener al desafiante Gobierno de Teherán", afirmó. Precisó que llevaba meses "siguiendo de cerca" este asunto del que había "discutido con los amigos en España". Harris se entrevistó a principios de octubre, en Madrid, con el ministro de Asuntos Exteriores, José Manuel García-Margallo.

El presidente iraní, Mahmoud Ahmadineyad, inauguró oficialmente Hispan TV el 31 de enero de 2012. Con tal motivo pronunció unas palabras en español, dirigidas a América Latina, y presentó la cadena como un arma de lucha ideológica.

¿Por qué razón en los primeros días de 2013, el secretario de Estado de Telecomunicaciones, Víctor Calvo-Sotelo, dio instrucciones a Elena Pisonero, presidenta de HISPASAT, ordenándole que bajara Ia señal de los canales iraníes HispanTV y PressTV?

¿De quién ha recibido instrucciones Víctor Calvo-Sotelo, secretario de Estado de Telecomunicaciones, para manejarse con el criterio de que hay que aplicar a las televisiones iraníes Ia normativa comunitaria sobre implicados en Ia lista negra de Ia UE, para así privar a HispanTV y PressTV de Ia capacidad satelital que permite transmitir servicios de televisión?

¿Por qué razón Ia dirección de HISPASAT, participado en parte por el sector publico español, prescinde de su obligación de aumentar su rentabilidad y eficiencia, y se dedica a echar clientes que han sido registrados oficialmente en España y desarrollan sus actividades bajo Ia normativa audiovisual de este país?

¿Considera el Gobierno que con estos hechos se ha vulnerado Ia libertad de expresión?

¿En Ia reunión mantenida en octubre de 2012 entre David Harris, director ejecutivo del Comité Judío Americano (AJC) y el ministro de Asuntos Exteriores, José Manuel García-Margallo, fue tratado el asunto de las emisiones de HispanTV y PressTV?

En caso afirmativo, ¿recibió el ministro de Asuntos Exteriores, José Manuel García-Margallo, indicaciones de David Harris sobre Ia conveniencia de privar de señal de satélite a las emisiones de HispanTV y PressTV?

¿Considera el Gobierno que acciones de este tipo no perjudicaran las relaciones bilaterales y comerciales entre España e Irán? 

Palacio del Congreso de los Diputados
Madrid, 18 de enero de 2013
Ascensión de las Heras Ladera
Diputada de IU 

Aberta a temporada de festivais e prêmios jornalísticos

O ano começou e já estão abertos os prazos de inscrições para festivais e diversos prêmios oferecidos para escolher as melhores reportagens e documentários realizados no Brasil. Confira abaixo os prazos e condições de cada certame.


14º Prêmio Imprensa Embratel

Foi prorrogado para o dia 14 de fevereiro o prazo para as inscrições na 14ª edição do Prêmio Imprensa Embratel. São R$ 194 mil em prêmios em três categorias: Grande Prêmio, Prêmios Nacionais e Prêmios Regionais. Serão aceitas reportagens publicadas entre junho de 2011 e novembro de 2012 em todas as mídias (rádio, televisão, jornal, revista e internet).
Para participar, acesse o site: www.premioimprensaembratel.com.br.


PRÊMIO CNI DE JORNALISMO 2013


Em sua segunda edição, o prêmio vai distribuir aos vencedores um valor bruto de R$310 mil. É o maior do Brasil na área. Trabalhos veiculados em TVs, jornais, revistas, rádios, sites e blogs poderão participar. Serão contempladas as melhores matérias cujo foco principal esteja no setor industrial e na Agenda da Indústria, definida no documento A Indústria e o Brasil – Uma Agenda para Crescer Mais e Melhor. São 12 pilares estratégicos: segurança jurídica; macroeconomia do crescimento; tributação e gasto público; financiamento; relações do trabalho; infraestrutura; educação; inovação; comércio exterior; meio ambiente; burocracia e micro e pequena empresa.
 
Poderão concorrer trabalhos jornalísticos publicados/veiculados entre 1º de abril de 2012 e 31 de março de 2013. O anúncio dos finalistas ocorrerá em 5 de junho de 2013. A premiação está marcada para o dia 25 de junho de 2013. As inscrições vão até o dia 12 de abril de 2013. 
 
Mais informações, bem como o regulamento completo e a ficha de inscrição, podem ser encontradas aqui



FESTIVAL DE DOCUMENTÁRIOS NO CHILE
Estão abertas até o dia 5 de abril as inscrições para o Festival Internacional de Documentales de Santiago – Fidocs. O evento, que acontece na capital chilena de 24 a 30 de junho, terá uma competição latino-americana de longas-metragens e uma competição internacional de curtas-metragens.  Mais informações e inscrições neste sítio.


PRÊMIO SEBRAE DE JORNALISMO


Estão abertas até o dia 31 de janeiro para inscrever o seu trabalho no Prêmio SEBRAE de Jornalismo, que vai reconhecer matérias e reportagens que abordam o universo das micro e pequenas empresas.

Há oportunidades de premiação para emissoras de rádio dos 27 estados do Brasil. As matérias inscritas disputam primeiro a fase estadual e depois se classificam para a final nacional. Serão definidos os vencedores de cada estado nas categorias de Rádio, Jornalismo Impresso, TV e Web.

• Primeiro passo: Selecione seus melhores trabalhos.

Podem concorrer ao Prêmio Sebrae matérias/reportagens veiculadas de 1º de janeiro de 2012 até 31 de dezembro de 2012 que tenham como foco uma das pautas abaixo:

• Práticas vitoriosas em pequenos negócios

Empreendedorismo

• Cooperação

• Competitividade

• Inovação

• Inclusão Produtiva

• Sustentabilidade nos pequenos negócios

• Políticas públicas e legislação que contemplem o universo das micro e pequenas empresas

• Gestão empreendedora nos pequenos negócios

• Segundo passo: Faça a sua inscrição até 21 de janeiro de 2012.

Acesse o site e preencha a ficha de inscrição. Concorrem ao Prêmio Sebrae de Radiojornalismo matérias, séries e entrevistas com até 60 minutos de duração. Você pode inscrever até cinco (5) trabalhos, mas não há limite de inscrições por veículo.
Além de disputar o prêmio em Rádio, você ainda concorre aos prêmios especiais.

GRANDE PRÊMIO SEBRAE DE JORNALISMO: à melhor matéria inscrita em qualquer das categorias, a premiação é de 25 mil reais.
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI SEBRAE: concedido à melhor matéria inscrita sobre a pauta Gestão empreendedora nos pequenos negócios, a premiação é de 12,5 mil reais.

• Terceiro passo: Envie os materiais dos seus trabalhos inscritos.
Encaminhe a ficha de inscrição preenchida e assinada junto com 1 (uma) cópia da matéria/reportagem em CD de áudio.

As inscrições podem ser feitas pelos Correios ou na própria sede da Revista IMPRENSA no endereço Rua Rego Freitas, 454 - 6º andar, conj. 61 - Centro - CEP: 01220-010 - São Paulo-SP. A data máxima de postagem e inscrição no prêmio é até 31 de janeiro de 2013.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Croniqueta - O raio que produz jornalista - parte 2


Por Tão Gomes Pinto 
Dizia eu: estava no bar, tomando um cafezinho, levanto os olhos e quem vejo? O próprio Almir ao vivo e a cores, diante da Telefônica, na Sete de Abril. O Almir que, naquela altura do championship, deveria estar sendo procurado por todos os repórteres esportivos de São Paulo, Santos, e adjacências.


Leia aqui:

Croniqueta - O raio que produz jornalista - parte 1


Devo esclarecer que somos temperamentos opostos, ele e eu. 
Sou tímido de nascença. Tenho vergonha de tudo, especialmente de me meter na vida dos outros, que é basicamente o que faz um repórter. Num certo sentido, sou um anti-repórter. 
Detesto perguntar. Prefiro prestar atenção. 
O Almir era o contrário. Voluntarioso seria pouco para ele. 
Tempos depois, o Augusto Saraiva, diretor do Santo F.C., me contaria que naquela final contra o Milan, o Almir estava tão dopado que saiam faíscas da sua chuteira. 
Antes do jogo, ele insistia em subir pelas paredes ladrilhadas do vestiário do Maracanã. 
Noutra ocasião, jogando no Flamengo, numa final contra o Bangu, que dava um baile no pessoal do Mengão, um diretor perguntou ao Almir: Eles não vão dar a volta olímpica, não é? 
Faltavam poucos minutos para terminar o jogo, o Almir dá uma tesoura voadora num adversário e provoca um dos maiores sururus (termo técnico) da história do Maracanã. Claro. Não havia clima para voltas olímpicas. 
Eu, atingido pela maldição do raio, teria que abordar esse indivíduo ali, descendo a calçada da Rua Marconi, dizer a ele boa tarde, sou jornalista, e gostaria de... 
Almir parou, me olhou debaixo para cima (era baixinho, a fera) e perguntou: Gostaria do que? De saber se você vai para o Santos. Ele: olha cara, no momento estou indo no alfaiate. E dá o fora rápido antes que eu me irrite. E saiu em direção da Barão de Itapetininga. 
Se um gari passasse por ali naquela hora, e me varresse para o bueiro mais próximo, eu diria obrigado, gentileza sua. Me sentia um lixo. Tivera nas mãos um tesouro e deixara ele escapar. Estava ali na esquina, paralisado, quando o raio voltou.
Porra, esse cara tem que ser jornalista, já pus ele na relação. Esse imbecil, covarde, cagão não vai me escapar assim. 
Dito o que, eu respirei fundo, atravessei a Barão e fui, de prédio em prédio, indagando na portaria: tem alfaiate nesse prédio? Não. 
Tem. Qual o andar. Sétimo. Subia. Não era ali. Talvez no vizinho. Meu Vulcabrás espantado com a minha determinação.
Até que, no edifício da Galeria Guatapará, no quarto andar, abre a porta do elevador e eu vejo, faiscante como um luminoso de Las Vegas, o letreiro Lamback Alfaiate. Abro a porta e com quem eu topo?
Com o Mauro Ramos de Oliveira, meu ídolo no São Paulo, que por desleixo da diretoria fora negociado com o Santos. 
Pronto. O Almir estava, de novo, ao meu alcance. Eu sabia que, atrás daquela cortina, tirando as medidas para um terno novo, estaria o meu personagem... 
Mauro Ramos de Oliveira, com quem eu aprendera o que é ser elegante no campo ou fora dele (é simples, basta não fazer gestos inúteis). O homem que levantou a Taça do Mundo 1982 com um movimento que eu definiria como sublime, e que estava ali para , junto com o maldito raio, me
fazer um jornalista pelo resto da vida.

(final da parte 2 - amanhã, se calhar, conto a 3)

E-livro "Fontes de Notícias" grátis na internet


O livro "Fontes de Notícias", de autoria do jornalista e professor de comunicação, Aldo Antonio Schmitz, está disponível na versão digital (PDF) para download gratuito ou impresso pelo preço do custo de impressão (8,90).

Trata-se do primeiro livro publicado no Brasil que trata exclusivamente das fontes. Resultado do seu mestrado em Jornalismo na UFSC, a obra verifica e mostra as ações e as estratégias das fontes nas relações com a mídia. 

Para isso, busca fundamentos em várias concepções e abordagens das fontes nos estudos do jornalismo. Reúne e revisa as diferentes tipificações para propor uma inédita classificação das fontes. 

Registra as peculiaridades da assessoria de imprensa e a profissionalização das fontes, bem como confronta a ética de lado a lado. Apresenta a pesquisa de campo feita com 440 fontes, assessores e jornalistas de todo o Brasil. 

Com isso, o obra elucida as ações e as estratégias das fontes em persuadir os jornalistas a reproduzir os fatos, o enfoque, as falas e os seus interesses. Segundo o autor, pretende contribuir para introduzir os estudos sobre fontes nos cursos de jornalismo, bem como alertar as fontes sobre o campo minado do jornalismo e os jornalistas quanto aos interesses das fontes.

O livro é uma publicação da Combook, editora sem fins lucrativos, especializada em obras paradidáticas na área de comunicação social.

A última entrevista de Brizola


Por Chico Sant'Anna


Se vivo estivesse, Leonel Brizola completaria, no dia 22/1/2013, 91 anos. O então presidente nacional do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul morreu no dia 21 de junho de 2004, aos 82 anos, vítima de uma infecção pulmonar. 
Em março do mesmo ano, o destino me reservou a sorte de ser o ultimo jornalista a fazer uma grande entrevista para televisão com ele.
Foram três dias de chá de espera e após muita insistência no telefone para que ele não cancelasse uma gravação pré-agendada há semanas, por Bruno Marini de Castro, que segurava a produção na retaguarda. Ele me recebeu com a equipe da TV Senado na portaria do prédio onde morava em Copacabana. Fomos para o prédio já com as malas prontas para em em seguida pegar o avião no Santos Dumont. Aquele era o nosso último dia no Rio de Janeiro. Já havíamos remarcado a passagem diversas vezes. Na verdade, o dead line dado pela TV havia vencido na véspera. Mas decidimos ficar mais aquele dia por uma questão de compromisso com o material a ser produzido. O depoimento de Brizol era fundamental para o que pretendíamos fazer. Já nem havia mais diárias, a locação do carro havia estourado, mas a equipe decidiu pagar a última noite de hotel com dinheiro do próprio bolso.
Brizola não me deixou subir ao apartamento. Ele desceu no elevador e perguntou o que queríamos. A entrevista deveria ter um tratamento estético, plástico, diferenciado, com uma luz bonita, um fundo que lembrasse a temática que tratávamos. mas o repórter-cinematográfico Marcos Feijó, acompanhado do auxiliar José Zenildo, não teve a mímima chance de produzir algo diferenciado naquele local: a portaria do prédio dele.
A porta externa da portaria era de vidro blindex e jogava uma luz azulada no minúsculo espaço que tínhamos com Brizola. Para piorar, ao fundo, do lado direito do ex-governador, havia a porta do elevador que não se cansava de abrir e fechar. Mas era gravar daquele jeito ou não gravar nada. Como não é possível falar de Brasil do século XX sem incluir Leonel deMoura Brizola e não sabíamos se teríamos outra oportunidade a saída era mandar ver ali mesmo. O destino nos mostrou que estávamos certos.
E foi assim: ele, sentado na cadeira do porteiro do prédio, e eu, no case que embala a câmera, conversamos por horas. Ressabiado pelo tratamento que historicamente recebeu da mídia nacional, se mostrou, no início, bem desconfiado. Lembro-me que disse: “olha guri, vou lhe dar uma chance, pode perguntar o que você quiser, sem medo. Eu não me incomodo.”
A pauta com ele se destinava a colher depoimentos para dois documentários da série Senado Documento, da TV Senado: "1964 - 40 anos depois", dirigido por mim e Cesar Mendes, e "Getulio do Brasil", também comandado por mim e Deraldo Goulart. O Golpe Militar completaria dali a poucos dias 40 anos de sua realização e, agosto daquele mesmo ano marcaria o 50º aniversário do suicídio de Getúlio Vargas.
Gravamos com Brizola num domingo de sol, com a praia de Copacabana explodindo de calor a poucos metros. A entrevista foi interrompida por um vizinho surfista que desceu do elevador com a sua prancha, por senhoras que iam caminhar com seus cachorrinhos e até pelo caminhão de gás, que no Rio de Janeiro passa com umas musiquetas chatas e estridentes. Mas eu não poderia perder aquela gravação e todos estes incômodos foram ignorados. O pensamento de Brizola era bem mais forte do que qualquer perda de qualidade sonora ou estética.
A conversa começou com Getúlio Vargas, passou pela Rede da Legalidade, Jango, regime militar e terminou com Lula, que naquele momento estava na metade do seu primeiro mandato.
Com seu falecimento, uns 90 dias depois, um terceiro documentário foi, por mim editado, veio à tona. Foi feito a toque-de-caixa. Peguei o material bruto entrei numa ilha de edição e fiquei lá manhã, tarde e noite uns três dias. Brizola morreu na noite de uma segunda-feira, a notícia veio a público na terça. No sábado, "Leonel Brizola, um legalista" ia ao ar para todo o Brasil graças, a um "esforço dereportagem" como se diz no jargão profissional.
O vídeo é, praticamente, a íntegra da entrevista com Brizola, que não mediu a língua: fala sobre a Rede da Legalidade, a movimento de manutenção da ordem jurídica, que previa garantir a posse de João Goulart após a renúncia do presidente Janio Quadros. Jânio Quadros também é lembrado pelo ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. O regime militar, anistia, Brizola falou de falou de tudo.
Conversar com Brizola foi uma aula de política e de história do Brasil. Uma aula de como as pessoas que acreditam num ideal e lutam para que ele se materialize podem contribuir para transformar a realidade de uma nação, de um povo.
O especial "Leonel Brizola, um legalista" tem perto de uma hora e está disponível na página da TV Senado. São dois blocos. Para ver o documentário, clique aqui e se quiser copiar, clique aqui para acessar o primeiro bloco.
A íntegra deste programa foi transcrita pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos - Cebela e editado no periódico científico Comunicação & Política.
Os documentários "Getulio do Brasil" e "1964 = 40 anos depois" estão na página da TV Senado - www.senado.gov.br/tv e podem ser copiados ou visualizados na internet.
Como dito antes, eles fazem parte da série Senado Documento e são bem longos, quase três horas. Originalmente, eles estão em três blocos, mas na internet, "1964 = 40 anos depois" está dividido em nove blocos. Para ver na internet, clique aqui, se preferir copiar, o primeiro bloco pode ser acessado neste enlace. Depois, é só ir abrindo os demais.

"Getúlio do Brasil" faz um reexame dos momentos que antecederam o suicídio de Getúlio Vargas e mergulha nos bastidores do atentado de Toneleros, contra o jornalista e político Carlos Lacerda, 19 dias antes da morte do presidente. O documentário tem locações em Porto Alegre e São Borja (RS), em Brasília e no Rio de Janeiro, com gravações no Palácio do Catete.
Na internet, ele está dividido em cinco blocos e pode ser visualizado aqui ou, se preferir copiar acesse por meio deste enlace.